sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Essência IV - "Temores e Tremores" por Caroline e Jean Allama

Temo o passado
Quando ele me apresenta
Casos mal resolvidos,
Que reviram meus pensamentos
Devastando, ferozmente, memórias aprofundadas
Onde não há abrigos seguros!

Temo a saudade do presente
Quando ele me apresenta
Bons motivos,
Que povoam meus sentidos
Causando impactos jamais vivenciados
Onde não há limites pré-estabelecidos!

Temo o futuro
Quando ele me apresenta
Folhas em branco,
Que buscam ser preenchidas
Cavando buracos no fundo do meu peito
Onde não há fundo reconhecido!

Temo te perder ... Tremo ao te ver!


Se temes o passado, afirmo-te convicto:
Não há antes se não houver depois...
Haverá no amanhã um lugar para nós dois?
Querer um ao outro, revirando o pensamento
Será feroz e devastador quando, no além
da memória, preservar-se o sentimento.

Se temes a saudade, eu temo a expectativa,
De te ver no acaso de alguma praça,
De te querer no indeciso de alguma esquina,
E povoar os meus sentidos de ávidos impulsos...
Na tua ausência, ainda arranjo um caco de telha,
escrevo um poema, e corto meus pulsos...

Não há folhas em branco no futuro do amor,
Tampouco se sabe os registros do próximo agosto,
Se o poema escrito a lápis o tempo desintegra
E o traço até então indelével é vazio qualquer...
Aos teus braços volto antes do nada ser tudo...
E homem serei único, de uma única mulher.

Temo ser perdido... Tremo ao ser visto...

2 comentários:

Anderson disse...

Gênio!! Belo texto.
Abraços!

http://palavreadooco.blogspot.com/

El Poeta disse...

O contraponto do amor, o contraponto da palavra... como saber quem é quem na unidade da poesia que se consuma?