Ana Lúcia mora numa casa de madeira
na Vila Madureira
As cortinas floreadas escondem os buracos na parede
O armário e a geladeira
são enfeitados com guardanapos cor de limão
Os Lençóis e as roupas
são estendidos nas cercas das ilusões
Quando acorda
contempla, preguiçosa, o sol do bom dia
Sobe o morro,
desce o morro
todo dia útil
Indo pro trabalho
equilibrando-se num salto plataforma
calça justa e blusinha bordada
Trabalha no boteco
num sobrado velho
Vende leite, vende pão
espanta a solidão
ao som do sambista favorito
Enfeita o balcão
com sua beleza de arrasar quarteirão
Anda sonhando com o galã da novela das oito
Trazendo flores amarelas
iguais a do salão
Vindo do bairro majestoso
perto da avenida
São Sebastião
Ah! Que doce ilusão!
De noite se enfeita
veste meias pretas, saia rodada
e blusa de paetês e rendas
Prende o cabelo negro
com presilhas coloridas
Volta para casa
No sol do meio dia
exausta de euforia
Pedro, Paulo e José já pediram sua mão em casamento
e como são doces os argumentos
dos pobres corações
Ela recusou um a um
sem dó nem piedade
Porque ainda espera o cavaleiro
dos seus sonhos mais ardentes
Aquele de beleza estonteante
Perfume inebriante
Reza pra santa de sua devoção
implorando que ele chegue
antes das rugas da desilusão...
na Vila Madureira
As cortinas floreadas escondem os buracos na parede
O armário e a geladeira
são enfeitados com guardanapos cor de limão
Os Lençóis e as roupas
são estendidos nas cercas das ilusões
Quando acorda
contempla, preguiçosa, o sol do bom dia
Sobe o morro,
desce o morro
todo dia útil
Indo pro trabalho
equilibrando-se num salto plataforma
calça justa e blusinha bordada
Trabalha no boteco
num sobrado velho
Vende leite, vende pão
espanta a solidão
ao som do sambista favorito
Enfeita o balcão
com sua beleza de arrasar quarteirão
Anda sonhando com o galã da novela das oito
Trazendo flores amarelas
iguais a do salão
Vindo do bairro majestoso
perto da avenida
São Sebastião
Ah! Que doce ilusão!
De noite se enfeita
veste meias pretas, saia rodada
e blusa de paetês e rendas
Prende o cabelo negro
com presilhas coloridas
Volta para casa
No sol do meio dia
exausta de euforia
Pedro, Paulo e José já pediram sua mão em casamento
e como são doces os argumentos
dos pobres corações
Ela recusou um a um
sem dó nem piedade
Porque ainda espera o cavaleiro
dos seus sonhos mais ardentes
Aquele de beleza estonteante
Perfume inebriante
Reza pra santa de sua devoção
implorando que ele chegue
antes das rugas da desilusão...


